Notinha sobre o Trabalho

O que é o trabalho, afinal? É toda atividade humana produtiva? Então rezar é trabalho? Não é, pois é improdutivo? E se alguém é pago para rezar, aí é trabalho? E se a reza produz um efeito sobre algum deus, que resolve atuar sobre alguém na terra, aí tudo bem? E dormir, é trabalho? Não é, pois é improdutivo? E se alguém for pago para dormir num centro de pesquisas do sono, aí é trabalho? Como se sabe, o sono serve para repor e reconstruir o organismo cansado, é como uma reforma e mesmo uma construção... então é trabalho?
O problema da noção de trabalho são vários:
Primeiro, ela pressupõe englobar toda e qualquer atividade humana, tornando todas as atividades humanas quantitativamente comparáveis. Portanto, é como um equivalente geral, e nesse sentido está de braço dado com a moeda, a mercadoria, o capital e a lei burguesa. Uma noção tão ampla e abstrata que englobe todas as atividades humanas não faz sentido fora de um modo de vida mercantil e capitalista.
Segundo, nessa pressuposição de englobar todas as atividades humanas, ela na verdade deixa várias de fora! Porque, quando começamos a nos referir a atividades menos obviamente materialistas, menos sólidas, mais etéreas (como escrever, produção de websites, atendimento telefônico em call center, trabalho de macumba, dormir etc.), o dissenso sobre se isso é ou não "trabalho" aumenta...
Terceiro, a relação entre trabalho e atividade faz parecer que a vida humana (e além da humana) precisa ser ativa o tempo inteiro, sempre gerar algo, sempre fazer, sempre ter uma finalidade...
Quarto... ah, já escrevi demais, deu preguiça.
Escrito por Guilherme L J Falleiros às 15h24
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